14 filmes sobre música brasileira para assistir na Netflix

Escolher um filme na Netflix pode virar uma tarefa mais demorada do que assistir ao próprio filme. Então, se você gosta de música brasileira, resolvemos facilitar um pouco o trabalho. Há biografias, documentários, imagens de arquivo, histórias de bandas, bastidores de discos e alguns momentos em que a música ajuda a contar o que estava acontecendo no Brasil de uma determinada época.

A lista passa por Racionais MC’s, Raul Seixas, Elis Regina, Ney Matogrosso, Cazuza, Chico Buarque, Tom Jobim, Novos Baianos, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Mamonas Assassinas, Erasmo Carlos, Beth Carvalho e Paulinho da Costa. São artistas completamente diferentes entre si, e isso é provavelmente o melhor desta seleção. Você pode começar no rap paulista dos anos 1990 e, duas horas depois, estar vendo a história da Jovem Guarda ou as lembranças de quem dividiu a vida com Tom Jobim.

Organizamos os 14 filmes numa lista do 14º ao 1º lugar. A posição é nossa, claro, e dá para discordar à vontade.

Importante: o catálogo da Netflix muda com frequência e a disponibilidade pode variar de acordo com o período e a região.

14. The Groove Under the Groove: Os Sons de Paulinho da Costa

2026 | Direção: Oscar Rodrigues Alves

Tem uma chance enorme de você já ter ouvido Paulinho da Costa dezenas de vezes sem fazer ideia de quem estava tocando. Talvez em Thriller, de Michael Jackson. Talvez em alguma gravação de Madonna, Quincy Jones, Lionel Richie, Aretha Franklin, Elton John ou de tantos outros artistas com quem o percussionista brasileiro trabalhou depois de construir sua carreira nos Estados Unidos.

É essa história quase inacreditável que The Groove Under the Groove coloca na tela. Paulinho saiu do Rio de Janeiro, levou consigo uma formação profundamente ligada à percussão brasileira e acabou se tornando um dos músicos de estúdio mais requisitados do mundo. Sua presença está espalhada por milhares de gravações, algumas delas tão famosas que fazem parte da memória musical de várias gerações.

O documentário funciona especialmente bem por corrigir uma injustiça comum da indústria fonográfica. A gente sabe quem está cantando, conhece o produtor, reconhece a capa do disco, mas raramente presta atenção nos músicos responsáveis por muitos dos sons que fazem uma gravação ganhar personalidade. Paulinho passou décadas trabalhando nesse lugar, praticamente invisível para o grande público e respeitadíssimo dentro dos estúdios.

Depois de assistir, é difícil não começar a ouvir certas músicas procurando a percussão.

13. Minha Fama de Mau

2019 | Direção: Lui Farias

Antes de Erasmo Carlos virar o Tremendão, havia um garoto da Tijuca apaixonado pelo rock que chegava dos Estados Unidos. Elvis Presley, Chuck Berry, Bill Haley e outros nomes daquele primeiro rock and roll mexiam com uma geração brasileira que ainda tentava descobrir o que fazer com aquela novidade. Erasmo estava bem no meio disso.

Minha Fama de Mau concentra boa parte de sua história nos anos que antecederam e acompanharam a explosão da Jovem Guarda. Chay Suede interpreta Erasmo, Gabriel Leone faz Roberto Carlos e Malu Rodrigues vive Wanderléa. A amizade entre Roberto e Erasmo ocupa bastante espaço porque é impossível contar a carreira de um sem passar pela parceria que os dois construíram.

O filme também ajuda a lembrar que a Jovem Guarda não nasceu pronta, com roupa colorida, programa de televisão e milhares de fãs. Havia uma turma procurando discos importados, montando bandas, fazendo versões, tentando tocar rock em português e descobrindo no caminho que existia um público jovem enorme interessado naquilo.

Para quem conheceu Erasmo já consagrado, como o Tremendão de voz grave e repertório gigantesco, é uma boa maneira de voltar ao período em que tudo ainda estava começando.

12. Mamonas Pra Sempre

2009 | Direção: Cláudio Kahns

A carreira dos Mamonas Assassinas foi tão rápida que muita gente acabou guardando a impressão de que os cinco apareceram do nada em 1995. Não foi assim. Antes do disco que colocou “Pelados em Santos”, “Robocop Gay”, “Vira-Vira” e “Sabão Crá-Crá” no país inteiro, eles passaram anos tocando juntos, tentando viver de música e acumulando frustrações com a banda Utopia.

Mamonas Pra Sempre recupera esse período anterior à fama e ajuda a entender melhor por que aqueles cinco músicos funcionavam tão bem juntos quando finalmente encontraram a fórmula que os transformou num fenômeno. Há entrevistas, vídeos antigos, registros pessoais e bastante material que mostra a convivência da banda antes dos programas de televisão, das multidões e da agenda completamente insana que veio depois.

Também fica evidente que reduzir os Mamonas à piada é ignorar metade da história. Eles tinham músicos muito bons, repertório de referências enorme e uma capacidade rara de misturar metal, pagode, sertanejo, forró, rock e brega dentro da mesma música sem perder o senso de humor.

É um documentário engraçado durante boa parte do tempo, mas existe um peso inevitável em cada registro. O espectador sabe que todos morreriam no acidente aéreo de março de 1996, quando a banda estava no ponto mais alto de sua popularidade. Ver aqueles vídeos sabendo disso muda completamente a experiência.

11. Homem com H

2025 | Direção: Esmir Filho

Interpretar Ney Matogrosso sem transformar o personagem numa imitação já seria um problema enorme. Jesuíta Barbosa conseguiu encontrar um caminho próprio e entrega uma atuação que sustenta Homem com H mesmo para quem conhece bastante a história do cantor.

O filme começa antes do Ney que o Brasil aprenderia a reconhecer imediatamente pela voz aguda, maquiagem, figurinos e movimentação de palco. A relação difícil com o pai, a repressão dentro de casa, os primeiros passos na vida artística e a descoberta de uma identidade própria ajudam a montar o caminho que leva aos Secos & Molhados, banda que explodiu no começo dos anos 1970 e fez algo que ainda parece estranho quando se olha para a televisão brasileira daquela época.

Depois vem a carreira solo, quando Ney percebe que não precisava diminuir nada para continuar existindo artisticamente. Pelo contrário. O corpo, a sensualidade, a maquiagem, as roupas e a maneira de ocupar o palco passam a fazer parte da música com a mesma importância da interpretação vocal.

E existe um detalhe histórico que torna tudo ainda mais interessante: boa parte dessa revolução aconteceu durante a ditadura militar. Ney não estava provocando uma sociedade liberal e confortável. Estava fazendo aquilo num Brasil profundamente conservador, policiado e acostumado a regras muito mais rígidas sobre como um homem deveria se vestir, se comportar e aparecer em público.

10. Cazuza: O Tempo Não Para

2004 | Direção: Sandra Werneck e Walter Carvalho

Cazuza tinha 32 anos quando morreu em 1990. É uma vida curta demais para a quantidade de músicas, histórias e imagens que ficaram. Talvez por isso sua trajetória combine tanto com cinema: tudo acontece rápido, com intensidade e sem muito espaço para períodos mornos.

Daniel de Oliveira interpreta Cazuza desde a entrada no Barão Vermelho, banda em que encontrou a parceria com Roberto Frejat e começou a mostrar uma habilidade muito particular para escrever letras ao mesmo tempo íntimas, debochadas e desesperadas. O filme acompanha a saída do grupo, a carreira solo, os relacionamentos, a convivência com os pais, os excessos e a transformação de um garoto da zona sul carioca numa das figuras centrais do rock brasileiro dos anos 1980.

A AIDS evidentemente ocupa uma parte importante da história, mas o filme não resume seus últimos anos à doença. Cazuza continuou escrevendo, gravando, fazendo shows e enfrentando publicamente uma situação que, naquele período, ainda vinha acompanhada de medo, preconceito e desinformação.

Algumas cinebiografias tentam limpar seus personagens até que eles pareçam santos. O Tempo Não Para não teria como fazer isso com Cazuza. Sua graça está também nas contradições, nas decisões ruins, na arrogância, no humor e naquela urgência quase permanente que acabou entrando em suas músicas.

9. Elis

2016 | Direção: Hugo Prata

Elis Regina é uma daquelas artistas que deixam uma armadilha para qualquer atriz que tente interpretá-las. Sua voz era reconhecível em poucos segundos, mas também eram reconhecíveis os movimentos, o jeito de falar, as expressões do rosto e aquela combinação de segurança no palco com uma personalidade cheia de conflitos fora dele.

Andréia Horta encara tudo isso em Elis sem fazer da personagem uma coleção de trejeitos. O filme acompanha a cantora desde a chegada ao Rio de Janeiro, passa pela televisão, pelos festivais, pelo casamento com Ronaldo Bôscoli, pela relação com César Camargo Mariano e por vários momentos em que carreira e vida pessoal começam a se misturar de uma maneira bastante pesada.

O longa também pega um período decisivo da indústria musical brasileira. Elis atravessou a era dos festivais, a consolidação da televisão como grande vitrine para cantores, a ditadura militar e as mudanças estéticas que transformaram a MPB entre os anos 1960 e 1970. Ela não estava observando essa história de longe. Estava no meio dela, gravando compositores novos, entrando em discussões e ajudando músicas a ganhar uma dimensão que muitas vezes ultrapassava a própria gravação original.

Mesmo sabendo onde a história termina, o filme nunca parece trabalhar apenas para chegar à tragédia. A graça está em acompanhar uma artista enorme tentando administrar uma vida que nem sempre tinha a mesma precisão de sua voz.

8. Andança: Os Encontros e as Memórias de Beth Carvalho

2022 | Direção: Pedro Bronz

Beth Carvalho tinha o hábito de guardar a própria história. Fotografias, vídeos, fitas, gravações e lembranças foram se acumulando durante décadas, e boa parte desse material virou a matéria-prima de Andança. Isso dá ao documentário uma intimidade que seria difícil conseguir apenas reunindo entrevistas depois de sua morte.

E falar de Beth significa obrigatoriamente passar por uma parte gigantesca da história recente do samba. Ela esteve ligada ao Cacique de Ramos, aproximou-se de uma nova geração de sambistas e abriu portas para artistas que depois seriam tratados como nomes fundamentais do gênero. Zeca Pagodinho, Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Jorge Aragão e tantos outros aparecem direta ou indiretamente nesse caminho.

Beth tinha faro para música e não escondia o prazer de apresentar gente nova ao público. Em vez de proteger território, fazia o movimento contrário: puxava compositores, músicos e sambistas para perto e ajudava a criar espaço para eles.

Por isso Andança acaba contando duas histórias ao mesmo tempo. Existe a trajetória de Beth, com suas relações, escolhas e carreira, e existe o samba acontecendo ao redor dela, mudando de geração sem romper completamente com aquilo que veio antes.

7. Chico: Artista Brasileiro

2015 | Direção: Miguel Faria Jr.

Chico Buarque já foi analisado de quase todas as maneiras possíveis. Há livros sobre as letras, trabalhos acadêmicos sobre os romances, estudos sobre o teatro, biografias, entrevistas e uma quantidade quase infinita de interpretações políticas de suas músicas. O documentário de Miguel Faria Jr. toma um caminho bem menos complicado: coloca Chico para falar sobre a própria vida.

Isso funciona porque ele não fica restrito à carreira musical. Família, infância, literatura, teatro, política, relacionamentos, processo criativo e memória aparecem misturados, como provavelmente aparecem na cabeça de qualquer pessoa quando tenta reconstruir décadas da própria vida.

As canções entram nesse percurso sem transformar o filme numa sequência de números musicais. Elas ajudam a localizar épocas e relações. Também aparecem outros artistas interpretando composições de Chico, o que reforça uma característica importante de sua obra: suas músicas sobreviveram muito bem a vozes diferentes da dele.

Quem procura uma biografia convencional, com narrador explicando datas e fatos em ordem cronológica, talvez estranhe. Quem quer passar um tempo ouvindo Chico Buarque organizar suas próprias lembranças provavelmente vai gostar muito mais.

6. A Luz do Tom

2013 | Direção: Nelson Pereira dos Santos

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Tom Jobim virou um daqueles nomes que parecem maiores do que a pessoa que existiu por trás deles. “Garota de Ipanema”, “Águas de Março”, “Corcovado”, “Wave”, “Desafinado” e tantas outras composições atravessaram países e décadas até transformar Antonio Carlos Jobim numa espécie de símbolo oficial da música brasileira no exterior.

Nelson Pereira dos Santos escolheu não fazer um documentário preocupado em repetir essa consagração. Em A Luz do Tom, o compositor aparece principalmente pelas lembranças de três mulheres muito próximas a ele: a irmã Helena Jobim, a primeira esposa Thereza Hermanny e Ana Jobim. São memórias de convivência, hábitos, família, trabalho e situações que dificilmente apareceriam num filme interessado somente na importância histórica da bossa nova.

A mudança de perspectiva faz bem ao personagem. Tom deixa de ser por alguns minutos o compositor brasileiro fotografado ao piano diante de uma floresta e volta a parecer uma pessoa de verdade, com manias, relações complicadas, humor e vida doméstica.

É um filme calmo, sem necessidade de transformar cada lembrança numa revelação extraordinária. Para Tom Jobim, isso funciona muito bem. As músicas já são grandes o suficiente. O documentário pode se dar ao luxo de olhar para o homem.

5. Filhos de João: O Admirável Mundo Novo Baiano

2009 | Direção: Henrique Dantas

Se alguém tentasse montar os Novos Baianos seguindo um plano de negócios, provavelmente daria tudo errado. Junte rock, samba, psicodelia, futebol, vida comunitária, guitarra elétrica, cavaquinho, maconha, improvisação e um grupo de jovens vivendo quase todo mundo junto. Foi desse ambiente pouco convencional que saiu uma das bandas mais importantes da música brasileira.

Filhos de João recupera essa história ouvindo os próprios integrantes e dando bastante espaço para a relação com João Gilberto. O encontro foi decisivo. João ouviu aquela turma que vinha mergulhada em rock e começou a mostrar outra maneira de olhar para o samba e para a música brasileira. A influência aparece com força no momento em que os Novos Baianos chegam a Acabou Chorare, lançado em 1972.

E é muito bom ouvir Pepeu Gomes, Moraes Moreira, Baby, Paulinho Boca de Cantor e outros personagens daquela história falando de um período que, visto de fora, parece quase inventado. A banda não nasceu apenas dentro do estúdio. A música estava misturada à casa onde moravam, às partidas de futebol, às conversas, às festas e ao convívio diário.

Talvez isso ajude a explicar por que os Novos Baianos soam tão difíceis de reproduzir. Você pode copiar a formação instrumental, estudar os arranjos e aprender as músicas. Recriar o ambiente que produziu aquilo já é outra história.

4. Gonzaga: De Pai pra Filho

2012 | Direção: Breno Silveira

Luiz Gonzaga passou boa parte da vida na estrada. Gonzaguinha passou boa parte da infância longe dele.

Essa distância é o ponto de partida para uma relação complicada entre dois homens que acabariam se tornando nomes enormes da música brasileira.

O pai veio do sertão pernambucano e ajudou a colocar baião, xote e xaxado no centro da música popular do país. O filho cresceu no Morro de São Carlos, no Rio, tornou-se compositor e seguiu por um caminho artístico e político bem diferente. A própria apresentação oficial do filme resume esse contraste: um era do sertão, o outro carioca; um identificado com a direita, o outro com a esquerda. 

Breno Silveira construiu o longa em cima desses encontros e desencontros. Chambinho do Acordeon interpreta Gonzaga em boa parte da vida adulta e Júlio Andrade faz Gonzaguinha. O filme acabou vencendo o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro de Melhor Longa de Ficção em 2013. 

Dá para assistir pelas músicas. Mas a relação entre os dois é o que segura o filme.

3. Raul: O Início, o Fim e o Meio

2012 | Direção: Walter Carvalho

Walter Carvalho reuniu tanto material sobre Raul Seixas que chegou a trabalhar com cerca de 400 horas brutas de pesquisa e gravação. Foram dezenas de entrevistas com familiares, amigos, ex-companheiras, músicos, produtores e parceiros. 

Ele também tomou uma decisão boa: tentou não depender do material de Raul que já circulava pela internet. Na pesquisa apareceram registros menos conhecidos, incluindo imagens de um show no Canecão. 

Paulo Coelho obviamente está no filme. Os dois escreveram juntos, mexeram com ocultismo, criaram a Sociedade Alternativa e construíram uma parceria que ocupa um lugar enorme na trajetória de Raul.

Mas aparecem também os problemas com álcool, os casamentos, as filhas, as brigas e o estado de saúde dos últimos anos. Não existe tentativa de organizar Raul numa personalidade coerente porque provavelmente isso nem seria possível.

O sujeito que cantava “Metamorfose Ambulante” acabou deixando uma biografia que faz jus à música.

2. Racionais: Das Ruas de São Paulo Pro Mundo

2022 | Direção: Juliana Vicente

O maior patrimônio deste documentário são as imagens antigas.

Juliana Vicente teve acesso a cenas gravadas ao longo de mais de 30 anos da carreira dos Racionais MC’s, incluindo registros dos primeiros shows nas ruas de São Paulo. O filme junta esse material com entrevistas de Mano Brown, Ice Blue, Edi Rock e KL Jay. 

É curioso ver aquelas imagens sabendo o tamanho que o grupo teria depois. No começo, eram quatro jovens falando diretamente sobre uma São Paulo que raramente aparecia daquela forma na música de grande circulação.

Vieram Holocausto Urbano, Raio X do Brasil e, em 1997, Sobrevivendo no Inferno. Violência policial, racismo, cadeia, religião, dinheiro e sobrevivência apareciam nas letras narrados por quem estava dentro daquela realidade.

O filme permite acompanhar essa mudança de escala sem apagar de onde o grupo saiu. Os shows aumentam, o público cresce, os discos viram referência, mas a Vila Fundão, o Capão Redondo e a periferia paulistana continuam no centro da conversa.

Para quem só conhece meia dúzia de músicas dos Racionais, é um ótimo lugar para começar a entender por que o grupo ocupa o lugar que ocupa.

1. Uma Noite em 67

2010 | Direção: Renato Terra e Ricardo Calil

Em 21 de outubro de 1967, a final do III Festival da Música Popular Brasileira da TV Record colocou uma quantidade quase ridícula de gente importante no mesmo palco.

Edu Lobo e Marília Medalha cantaram “Ponteio” e venceram. Gilberto Gil apareceu com Os Mutantes em “Domingo no Parque” e ficou em segundo. Chico Buarque e MPB-4 ficaram em terceiro com “Roda Viva”. Caetano Veloso, acompanhado pelos Beat Boys, chegou em quarto com “Alegria, Alegria”. Roberto Carlos ficou em quinto com “Maria, Carnaval e Cinzas”. 

Elis Regina também estava naquela edição e levou o prêmio de melhor intérprete por “O Cantador”. 

E aí tem Sérgio Ricardo.

Enquanto cantava “Beto Bom de Bola”, foi engolido pelas vaias da plateia. Tentou seguir, discutiu com o público, perdeu a paciência, quebrou o violão e jogou o instrumento para a frente do palco. A música acabou desclassificada. 

O grande trunfo de Uma Noite em 67 é muito simples: isso tudo foi filmado.

Renato Terra e Ricardo Calil pegaram as imagens da Record e entrevistaram décadas depois alguns dos artistas, jurados e pessoas envolvidas naquela final. Você vê a apresentação acontecendo e depois escuta os próprios personagens lembrando do que estava passando pela cabeça deles naquele momento. 

E tem outro detalhe que torna aquelas imagens ainda melhores. Muitos daqueles artistas ainda eram muito jovens. Edu Lobo tinha 24 anos. Chico tinha 23. Caetano tinha 25. Gil tinha 25. Os Mutantes estavam começando.

Ninguém subiu naquele palco como “lenda da música brasileira”. Eles ainda estavam fazendo as músicas que fariam com que fossem chamados assim décadas depois.

Por isso esse ficou em primeiro.

Tá, mas qual eu assisto primeiro?

Se quiser imagem de arquivo boa de verdade, eu começaria por Andança, Racionais, Mamonas Pra Sempre ou Uma Noite em 67.

Se estiver mais a fim de uma cinebiografia, tem Homem com H, Elis, Cazuza e Gonzaga: De Pai pra Filho.

Para entrar fundo num artista específico, Raul, Chico: Artista Brasileiro e A Luz do Tom funcionam melhor.

E se nunca viu nenhum dos 14, começa pelo primeiro lugar mesmo.

Uma Noite em 67 dura pouco mais de uma hora e coloca você diante de um pedaço da música brasileira que normalmente aparece nos livros já organizado, explicado e transformado em história. No filme, ainda está tudo acontecendo.

Depois é só escolher o próximo.

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