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Carangas Cultural ©
Curadoria musica, memória e cultura popular brasileira.
Projeto cultural independente.
Quando deixou os Mutantes em 1972, muita gente acreditou que a carreira de Rita Lee jamais voltaria a alcançar a importância que havia conquistado ao lado da banda. Afinal, ela era uma das figuras centrais de um dos grupos mais inovadores da música brasileira.
O que poucos imaginavam é que, justamente nesse momento de transição, nasceria um dos projetos mais curiosos e misteriosos de toda a sua trajetória: Cilibrinas do Éden.
Um novo caminho depois dos Mutantes
Após deixar os Mutantes, Rita Lee decidiu explorar novos territórios musicais. Ao lado da guitarrista Lúcia Turnbull, considerada uma das pioneiras do rock brasileiro, formou a dupla Cilibrinas do Éden.
O projeto se afastava bastante da sonoridade pela qual Rita havia ficado conhecida. Em vez das guitarras psicodélicas e do rock experimental dos Mutantes, a proposta misturava elementos de folk, psicodelia, violões, flautas e harmonias vocais, criando uma atmosfera delicada, acústica e contemplativa.
Era uma fase completamente diferente da artista, marcada pela busca de novas possibilidades criativas.
A estreia que terminou em vaias
A primeira apresentação das Cilibrinas do Éden aconteceu durante o Phono 73, um dos maiores festivais de música do Brasil na época.
O público, porém, esperava encontrar a Rita Lee dos Mutantes.
Quando a dupla subiu ao palco com uma proposta totalmente diferente, a reação foi imediata. As vaias começaram logo nas primeiras músicas e a apresentação foi interrompida.
Aquele acabou sendo o único show realizado pelas Cilibrinas do Éden.
Um disco que nunca chegou às lojas
Muita gente acredita que a história terminou naquele festival. Mas isso não aconteceu.
Mesmo após a apresentação conturbada, Rita Lee e Lúcia Turnbull entraram em estúdio para gravar as músicas do projeto. O álbum ficou praticamente pronto e estava previsto para ser lançado pela gravadora Philips.
No entanto, pouco antes do lançamento, a gravadora decidiu cancelar o disco.
O trabalho permaneceu engavetado e nunca foi oficialmente lançado na época.
Décadas de mistério
Durante muitos anos, essas gravações sobreviveram apenas em fitas que circulavam entre colecionadores e admiradores da obra de Rita Lee.
Com o passar das décadas, o interesse pelo projeto cresceu justamente por causa de seu caráter quase lendário. Um selo europeu chegou a lançar uma edição não oficial baseada nesse material, permitindo que mais pessoas conhecessem aquelas gravações.
Assim, Cilibrinas do Éden passou a ocupar um lugar único na história do rock brasileiro: o de um álbum cercado por mistério, curiosidade e fascínio.
Por que esse disco ainda desperta tanto interesse?
Além da qualidade musical, Cilibrinas do Éden representa um momento de transformação na carreira de Rita Lee.
O projeto mostra uma artista disposta a abandonar fórmulas, experimentar novas sonoridades e correr riscos, mesmo sabendo que isso poderia causar estranhamento ao público.
Hoje, o álbum é visto como uma peça importante para compreender não apenas a evolução de Rita Lee, mas também os caminhos menos conhecidos da psicodelia brasileira durante os anos 1970.
Conheça outros discos esquecidos da psicodelia brasileira
A história das Cilibrinas do Éden é apenas uma entre dezenas de discos que ajudaram a construir a música brasileira, mas acabaram ficando fora do grande público.
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