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Carangas Cultural ©
Curadoria musica, memória e cultura popular brasileira.
Projeto cultural independente.
Falar de psicodelia brasileira não é falar de um estilo fechado. Aqui, a coisa sempre foi mais misturada. Não existe um som único. Existe um monte de caminhos diferentes que, em algum momento, passam pela experimentação.
Essa lista não tenta definir tudo. Ela organiza alguns discos que ajudam a entender como essa estética apareceu no Brasil, principalmente entre o fim dos anos 60 e a metade dos anos 70, com um salto lá nos anos 90.
Antes de tudo: não existe uma “psicodelia brasileira padrão”
Enquanto lá fora a psicodelia estava muito ligada ao rock, aqui ela se espalhou.
Ela aparece:
- no tropicalismo
- no rock progressivo
- na música nordestina
- no pop
- em discos completamente fora de categoria
Por isso, tentar encaixar tudo num rótulo só não funciona muito bem. Esses discos aqui mostram justamente essa diversidade.
Os discos
10. Júpiter Maçã – A Sétima Efervescência (1997)
Esse disco não nasceu pra ser clássico. Virou com o tempo.
Gravado de forma independente, cheio de referência aos anos 60, ele mistura Beatles, Mutantes e uma bagunça muito própria. É lo-fi, estranho em vários momentos e justamente por isso funciona. Hoje é um dos discos mais cult da música brasileira dos anos 90.
9. Cátia de França – 20 Palavras ao Redor do Sol (1979)
Não parece com quase nada que veio antes ou depois.
Cátia junta elementos da música nordestina com uma abordagem muito pessoal. As letras, os arranjos, tudo tem um clima próprio. Não é um disco “fácil”, mas é daqueles que crescem com o tempo.
8. Ave Sangria – Ave Sangria (1975)
Um dos discos mais diretos dessa lista.
Veio de Recife, com uma pegada crua, meio marginal, e acabou sendo censurado na época. Isso já diz bastante sobre o contexto. Musicalmente, mistura psicodelia com rock e uma atitude bem livre.
7. Casa das Máquinas – Lar de Maravilhas (1975)
Aqui a coisa já vai pra outro lado.
É um disco mais técnico, mais construído, com influência forte do rock progressivo. Ainda assim, a psicodelia aparece nas passagens, nos climas e na forma como as músicas se desenvolvem. É ambicioso e funciona bem dentro dessa proposta.
6. Arnaldo Baptista – Loki? (1974)
Depois dos Mutantes, Arnaldo segue sozinho e entrega um disco bem diferente.
É mais introspectivo, mais instável, quase como se você estivesse acompanhando um processo interno. Não tem a mesma “brincadeira” dos Mutantes. Aqui a psicodelia é mais pessoal.
5. Secos & Molhados – Secos & Molhados (1973)
Esse disco teve um impacto enorme.
Levou uma estética completamente diferente pro grande público. Visual, performance, poesia, tudo junto. E mesmo sendo popular, mantém um nível de estranhamento que não era comum na época.
4. Zé Ramalho & Lula Côrtes – Paêbiru (1975)
Um dos discos mais lendários da música brasileira.
Gravado em Pernambuco, mistura misticismo, cultura nordestina e experimentação sonora. Parte das cópias se perdeu em uma enchente, o que ajudou a criar o mito em torno do álbum.
3. Jorge Ben – A Tábua de Esmeralda (1974)
Aqui a psicodelia não é óbvia.
Jorge Ben mistura samba, esoterismo e groove de um jeito muito próprio. As letras vão pra um lado mais místico, e a sonoridade segue firme, mas com uma atmosfera diferente do que ele vinha fazendo antes.
2. Os Mutantes – Os Mutantes (1968)
Esse é ponto de partida.
Os Mutantes pegam o que estava acontecendo lá fora e transformam completamente dentro do contexto brasileiro. Tem humor, experimentação, invenção sonora. É um disco que abre caminho pra muita coisa.
1. Gal Costa – Gal (1969)
Um dos discos mais intensos desse período.
A voz da Gal segura tudo com muita força, enquanto os arranjos vão pra um lado mais pesado e experimental. É um álbum que traduz bem o momento da Tropicália, com toda a tensão que existia ali.
Pra fechar
Essa lista não resolve o assunto. Tem muita coisa de fora. Sempre vai ter.
Mas se você quiser começar ou revisitar a psicodelia brasileira, esses discos aqui são um bom ponto de partida.
Agora faz o teste:
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