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Por recomendação médica, Milton Nascimento ainda não recebeu a notícia do falecimento de Lô Borges, seu amigo, irmão artístico e um dos pilares do Clube da Esquina. O cantor e compositor mineiro faleceu no último domingo (3), aos 73 anos, em Belo Horizonte (MG), deixando o Brasil em luto e uma obra imortal na história da música brasileira.
Filho de Milton revela momento delicado da família
Quem revelou a situação foi Augusto Nascimento, filho de Milton, durante o velório de Lô, realizado nesta terça-feira (4). Segundo Augusto, a notícia precisa ser comunicada com extremo cuidado.
“Vai ser um choque profundo para meu pai. O Lô era como um irmão mais novo. Eu e o médico decidimos contar juntos, para que ele esteja assistido e em segurança caso haja qualquer intercorrência”, declarou Augusto ao jornal Folha de S. Paulo.
Ele também destacou o vínculo afetivo que unia os dois artistas:
“O Lô tinha uma fidelidade rara. Mandava mensagens do nada dizendo que amava meu pai, que sentia saudade. Essa conexão era verdadeira, eterna.”
Os últimos meses de Lô Borges e sua incansável dedicação à arte
Internado desde o dia 17 de outubro após uma intoxicação medicamentosa, Lô enfrentava complicações de saúde e precisou de ventilação mecânica, além de uma traqueostomia realizada no fim de outubro.
Mesmo fragilizado, Lô Borges nunca deixou de criar. Em agosto, lançou o disco Chão de Giz, com letras de Zeca Baleiro — o sétimo álbum inédito em apenas sete anos. Uma prova incontestável de seu talento incansável e de sua paixão pela música até os últimos dias.
Clube da Esquina: a amizade que mudou a história da música brasileira
A trajetória de Lô Borges e Milton Nascimento começou ainda na infância, nas ruas do centro de Belo Horizonte. O laço de amizade e admiração mútua cresceu junto com o som das montanhas mineiras, culminando na criação de um dos maiores marcos da MPB: o álbum “Clube da Esquina” (1972).
O disco duplo — gravado com uma geração de jovens músicos visionários — redefiniu os rumos da música no Brasil, misturando rock, jazz, psicodelia e regionalismo com poesia e espiritualidade. Décadas depois, a obra seria reconhecida mundialmente: a revista norte-americana Paste Magazine classificou Clube da Esquina como o 9º melhor álbum de todos os tempos entre 300 clássicos da música internacional.
O legado eterno de Lô Borges
No mesmo ano do Clube da Esquina, Lô também lançou o icônico “Disco do Tênis”, um trabalho ousado que consolidou sua voz singular como compositor e intérprete. Suas melodias e harmonias inconfundíveis influenciaram artistas de várias gerações — do próprio Milton a nomes como Skank, Boogarins e Rubel.
Hoje, o Brasil se despede de Lô Borges, mas sua arte continua viva. Sua amizade com Milton Nascimento e o legado do Clube da Esquina seguem ecoando nas rádios, nas vitrolas e nos corações de quem acredita que a música é um território de amor e liberdade.


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