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Lô Borges: o eterno viajante do som mineiro que reinventou a música brasileira
O Brasil se despediu de um dos seus maiores poetas musicais. Lô Borges, ícone da música popular brasileira e cofundador do lendário Clube da Esquina, faleceu no último domingo (2), aos 73 anos. O cantor, compositor e instrumentista mineiro deixa um legado imenso e atemporal, repleto de canções que moldaram o imaginário sonoro de gerações — entre elas, “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela” e “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo”.
Mais do que um músico, Lô Borges foi um inventor de melodias universais. Sua arte transitou com leveza entre o popular e o sofisticado, entre o mineiro e o cósmico. Com influências do jazz, do rock progressivo e da música erudita, criou uma sonoridade própria, marcada pela poesia simples e profunda — uma assinatura que se tornou inconfundível.
O legado das colaborações: encontros que fizeram história
Ao longo da carreira, Lô Borges construiu pontes musicais com artistas de diferentes gerações, deixando parcerias que respiram afeto, experimentação e liberdade. Relembre 10 colaborações marcantes que ajudam a entender a grandeza do seu percurso artístico:
“Manuel, o Audaz” – com Toninho Horta
Um clássico absoluto do Clube da Esquina, símbolo da amizade e da genialidade compartilhada entre dois dos maiores músicos de Minas Gerais.
“Clube da Esquina nº 2” – com Solange Borges
Delicadeza e lirismo em estado puro. A canção ecoa o espírito do coletivo mineiro e a harmonia familiar de Lô com sua irmã.
“Dínamo” – com Samuel Rosa
Encontro de gerações: o Skank e o Clube da Esquina em um só acorde. Uma celebração moderna da musicalidade mineira.
“Olhos Cansados” – com Zeca Baleiro
Canção carregada de emoção e maturidade artística, onde a voz de Baleiro se entrelaça à poesia melancólica de Lô.
“Natural / Nova Manhã” – com 14 Bis
Uma colaboração que mostra o DNA da música mineira dos anos 80, herdeira direta do espírito do Clube da Esquina.
“Antes do Sol” – com Fernanda Takai
A leveza da voz de Takai somada à suavidade melódica de Lô resultam em um dueto de rara beleza.
“Fica no Ar” – com Paulinho Moska
Uma faixa contemplativa, onde as reflexões sobre o tempo e o amor se misturam em harmonias sutis.
“Anjo de Luz” – com Chico Moura
Um registro espiritual e sereno, revelando o lado mais introspectivo e afetivo de Lô Borges.
“Desabrochando Flor” – com Patricia Maês
Parceria delicada e cheia de sensibilidade, reafirmando o poder da canção como forma de afeto.
“Manuel, o Audaz” – com Pat Metheny
A versão internacional da obra-prima mineira: quando o jazz norte-americano encontrou o lirismo das montanhas de Minas.
Vida, luta e amor à música
Nascido em Belo Horizonte, Lô Borges cresceu cercado por sons e afetos. Filho de Salomão e Maricota Borges, ambos músicos amadores, foi o sexto de onze irmãos — um ambiente fértil para a criatividade e a troca artística.
Em outubro, Lô foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva após uma intoxicação medicamentosa. Seu quadro se agravou, exigindo ventilação mecânica e uma traqueostomia no fim do mês. O cantor faleceu no dia 2 de novembro, às 20h50, em decorrência de falência múltipla dos órgãos.
Mesmo diante das dificuldades, sua essência sempre esteve na música. Em uma entrevista ao Estadão, Lô resumiu o que movia sua alma:
“A composição é meu alimento espiritual. É o momento em que a vida faz mais sentido para mim. Compor é amar. Se eu não componho, sinto que falta algo.”
Uma amizade que atravessou o tempo
Entre tantas parcerias, nenhuma foi tão simbólica quanto a sua com Milton Nascimento. Juntos, Lô e Milton criaram o Clube da Esquina, movimento que revolucionou a MPB ao unir Minas Gerais ao mundo. Essa amizade sonora, forjada na juventude, se tornou um dos maiores tesouros da música brasileira.
Eternamente Lô
A partida de Lô Borges representa uma grande perda para a música brasileira, mas sua obra continua pulsando — viva nas vozes, nas guitarras e nas janelas abertas da alma de quem escuta.
Lô foi e sempre será o menino do disco azul, aquele que transformou a canção em portal, o cotidiano em poesia e Minas em um estado de espírito.


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