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Neste 26 de setembro de 2026, Gal Costa completaria 81 anos. Nascida em Salvador, em 1945, ela construiu uma das carreiras mais importantes da música brasileira e passou quase seis décadas mudando de repertório, de estética e de sonoridade sem deixar de ser reconhecida pela própria voz.
Da influência inicial de João Gilberto ao Tropicalismo, do rock psicodélico aos grandes sucessos populares, Gal fez da liberdade artística uma característica permanente de sua carreira.
De Salvador para os primeiros palcos
Maria da Graça Costa Penna Burgos nasceu em Salvador, em 26 de setembro de 1945.
Ainda jovem, trabalhou na Roni Discos, uma das principais lojas de discos da capital baiana. João Gilberto foi uma de suas maiores referências naquele período. Gal ouviu “Chega de Saudade” no rádio em 1959 e acompanhou de perto a transformação que a bossa nova provocava na música brasileira.
Em 1963, conheceu Caetano Veloso, apresentada por Dedé Gadelha.
No ano seguinte, Gal participou do espetáculo Nós, Por Exemplo, ao lado de Caetano, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Tom Zé, na inauguração do Teatro Vila Velha, em Salvador.
Sua primeira gravação viria pouco depois. Em 1965, participou de “Sol Negro”, no disco de estreia de Maria Bethânia, e também gravou o compacto com “Eu Vim da Bahia”, de Gil, e “Sim, Foi Você”, de Caetano.
Da bossa nova ao Tropicalismo
Nos primeiros anos, o canto de Gal estava muito ligado à influência de João Gilberto.
Isso aparece claramente em Domingo, disco gravado com Caetano Veloso e lançado em 1967. A interpretação era suave, contida e muito próxima da estética da bossa nova.
Mas a mudança veio rapidamente.
Em 1968, Gal participou de Tropicália ou Panis et Circencis, um dos discos fundamentais do Tropicalismo. Sua gravação de “Baby”, composta por Caetano, tornou-se um dos primeiros grandes sucessos de sua carreira.
No mesmo ano, apresentou “Divino Maravilhoso” no Festival da Record.
A cantora que poucos anos antes seguia o canto contido de João Gilberto agora aparecia com uma interpretação mais agressiva, cabelo volumoso, influência do rock e outra postura no palco.
Em 1969, lançou dois discos solo: Gal Costa e Gal. O segundo ficou marcado pela psicodelia e por faixas como “Meu Nome É Gal” e “Cinema Olympia”.
Gal durante o exílio de Caetano e Gil
No fim dos anos 1960, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos pela ditadura militar e posteriormente partiram para o exílio em Londres.
Gal permaneceu no Brasil.
Nesse período, seu trabalho ficou cada vez mais ligado ao rock, à psicodelia e à contracultura. Em 1970, lançou LeGal, que incluía “London, London”, composição de Caetano sobre sua experiência no exílio.
No ano seguinte veio um dos trabalhos mais importantes de sua carreira.
Fa-Tal e uma das fases mais radicais de Gal Costa
Em 1971, Gal apresentou o espetáculo Fa-Tal: Gal a Todo Vapor, dirigido por Waly Salomão.
O show misturava momentos acústicos e elétricos. Gal aparecia acompanhada por violão, guitarra, baixo e bateria, mas também cantava sozinha e explorava diferentes possibilidades da própria voz.
O repertório incluía músicas de artistas que naquele momento ainda estavam construindo suas carreiras, como Luiz Melodia, Jards Macalé e os Novos Baianos.
Da apresentação nasceu o disco ao vivo Fa-Tal: Gal a Todo Vapor, com gravações de “Vapor Barato”, “Como 2 e 2”, “Pérola Negra” e outras canções que ficaram associadas àquele período.
Índia, censura e o corpo como parte da obra
Em 1973, Gal lançou Índia.
O álbum chamou atenção não apenas pelo repertório. Sua capa mostrava um close da região da virilha da cantora. Em outra fotografia do projeto, Gal aparecia com os seios nus.
O disco acabou sendo comercializado dentro de uma embalagem que escondia a capa devido à censura da ditadura militar.
Naquele período, Gal também confrontava os costumes conservadores por meio da maneira como se vestia e se apresentava.
Seu corpo, sua voz e sua presença no palco passaram a fazer parte da imagem de uma artista associada à contracultura brasileira dos anos 1970.
Gal não ficou presa aos anos 70
A fase tropicalista e psicodélica poderia ter definido toda a carreira de Gal Costa. Não definiu.
Nos anos seguintes, ela voltou a modificar seu repertório e sua forma de cantar.
Gravou um disco dedicado a Dorival Caymmi, revisitou a obra de Ary Barroso em Aquarela do Brasil e chegou aos anos 1980 como uma das cantoras mais populares do país.
Vieram músicas como “Festa do Interior”, “Chuva de Prata”, “Sorte” e “Um Dia de Domingo”, esta última gravada com Tim Maia.
Ao mesmo tempo, Gal continuou gravando compositores de diferentes gerações e retomando repertórios importantes da música brasileira.
Recanto e Estratosférica mostraram uma Gal ainda inquieta
A vontade de experimentar não desapareceu com o tempo.
Em 2011, aos 66 anos, Gal lançou Recanto, álbum composto por Caetano Veloso e produzido com forte presença de elementos eletrônicos.
Era um trabalho bastante diferente dos discos pelos quais grande parte do público a conhecia.
Quatro anos depois veio Estratosférica, lançado em 2015. O álbum reuniu compositores de diferentes gerações, incluindo nomes como Criolo, Céu, Mallu Magalhães, Arthur Nogueira, Arnaldo Antunes e Tom Zé.
Mesmo depois de cinco décadas de carreira, Gal continuava procurando repertório novo.
Uma carreira que atravessou quase seis décadas
Gal Costa começou sua trajetória profissional em 1964 e permaneceu em atividade até 2022.
Nesse período, passou pela bossa nova, pelo Tropicalismo, pelo rock, samba, pop, música romântica e experimentações eletrônicas.
Também interpretou algumas das obras mais importantes de compositores como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Dorival Caymmi, Chico Buarque, Tom Jobim, Ary Barroso, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Luiz Melodia e muitos outros.
Gal morreu em 9 de novembro de 2022, aos 77 anos.
Neste 26 de setembro de 2026, ela completaria 81 anos.
Para celebrar Gal Costa

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